Além da Escuridão
"VIVER SEM ESPERANÇA É DEIXAR DE VIVER"
Fiódor Dostoiévski
O documentário “Além da Escuridão” acompanha a busca por respostas de um psicanalista após perder quatro familiares para o suicídio e o seu desafio em manter a esperança diante do absurdo e da dor, expondo as maiores crises sociais e existenciais do nosso tempo.
ABORDAGEM
Viver sem esperança é deixar de viver, mas como encontrá-la quando todas as luzes se apagam e somos confrontados com o absurdo e dores insuportáveis?
Com o objetivo de trazer luz, Além da escuridão é um longa documental que provoca uma reflexão profunda e poética sobre suicídio, o vazio existencial e a importância da esperança em nosso tempo.
Trazendo um caráter biográfico e investigativo, mas também aprofundado e embelezado por uma abordagem poética-filosófica, o desenvolvimento do filme se dá através da busca pessoal do protagonista por respostas e sentido para o suicídio. A narrativa é construída em cima de reflexões pessoais, imagens de arquivo e entrevistas com especialistas e com outras pessoas que também atravessam a mesma dor.
O filme é costurado por imagens poéticas com uma estética que explora o contraste entre luzes e sombras como expressão da oposição entre a esperança e o vazio existencial e entre a ignorância e a clareza que rompe o preconceito.
As entrevistas, por sua vez, seguem um formato informal e intimista, explorando planos detalhes, imagens b-roll e captando a emoção dos entrevistados, evitando um formato entediante e meramente informativo no estilo “talking heads”,
Também faremos o uso de animações para trazer leveza ao tema, que é pesado por si só, e cumprindo com o intuito de misturar a realidade e a imaginação, representando a intersecção entre existência objetiva e o mundo subjetivo.
Pilares Conceituais
Suicídio / Tabu
O que leva uma pessoa a cometer o suicídio? O suicídio é uma uma escolha ou uma falta de escolha? Só comete suicídio quem tem depressão? O suicídio é, por si só, um problema extremamente complexo e multifatorial que gera uma série de perguntas ainda sem respostas. Essa complexidade se amplifica pelo estigma que acompanha o problema, limitando um entendimento que poderia salvar vidas e provocando uma dor tão dilacerante quanto a própria perda em si.
Nesta película, pretendemos romper com o tabu e o medo olhando para o suicídio de maneira direta e translúcida, abordando o problema não apenas sob a ótica da saúde e dos transtornos mentais, mas como uma questão social e existencial, ouvindo especialistas de diferentes campos do saber, a visão de outras culturas e também daqueles sofrem com essa dor. Nossa intenção é ser luz na escuridão ao promover clareza e esperança.
Alcançando a marca assustadora de 800.000 mortes ao ano, o suicídio representa hoje a segunda maior causa de morte entre os jovens, segundo o Global Burden Disease.
Pilares Conceituais
A Busca por Sentido e o Vazio Existencial
Transtornos mentais, defesa da honra, problemas sociais, solidão… são inúmeras as razões que podem levar alguém a tirar a própria vida, mas há sempre um ponto comum: a dor de ser. O suicídio é, acima de tudo, uma dor existencial.
Por isso, um relato comum das pessoas que pensam em cometer suicídio é a falta de sentido na vida. O vazio existencial, porém, parece ser um problema maior no mundo pós-moderno. É um mal do nosso zeitgeist, uma chaga do espírito do nosso tempo.
Os preceitos morais e espirituais e o senso comunitário que oferecem propósito e alento perante o sofrimento humano deram lugar a valores materialistas e relações superficiais que não entregam nada senão uma insatisfação constante e um imenso vazio existencial.
O ter e a aparência aniquilaram o Ser e a essência.
Valendo-se da biografia viajante do protagonista e usando como premissa sua busca por respostas e sentido após tantas tragédias pessoais, este filme é também uma jornada, física e existencia.
É a longa e árdua estrada da existência
em busca de paz, compreensão e significado.
O SUICIDIO COMO UMA DOR EXISTENCIAL
Pilares Conceituais
(Des)Conexão / Solidão
Transtornos mentais, defesa da honra, problemas sociais, solidão… são inúmeras as razões que podem levar alguém a tirar a própria vida, mas há sempre um ponto comum: a dor de ser. O suicídio é, acima de tudo, uma dor existencial.
Por isso, um relato comum das pessoas que pensam em cometer suicídio é a falta de sentido na vida. O vazio existencial, porém, parece ser um problema maior no mundo pós-moderno. É um mal do nosso zeitgeist, uma chaga do espírito do nosso tempo.
Os preceitos morais e espirituais e o senso comunitário que oferecem propósito e alento perante o sofrimento humano deram lugar a valores materialistas e relações superficiais que não entregam nada senão uma insatisfação constante e um imenso vazio existencial.
O ter e a aparência aniquilaram o Ser e a essência.
Valendo-se da biografia viajante do protagonista e usando como premissa sua busca por respostas e sentido após tantas tragédias pessoais, este filme é também uma jornada, física e existencia.
É a longa e árdua estrada da existência
em busca de paz, compreensão e significado.
O SUICIDIO COMO UMA DOR EXISTENCIAL
Pilares Conceituais
Esperança e o Desespero
A esperança é a última a morrer, diz o ditado.
O que acontece, então, quando ela acaba? Viver sem esperança é deixar de viver.
A desesperança é um fator de risco para o suicídio três vezes maior do que a própria depressão. No mito da Caixa de Pandora, a esperança é a única coisa a restar após todos os males serem lançados sobre a humanidade, uma pequena luz que resguarda os seres humanos do suicídio coletivo.
Mas como manter a fé em um mundo assolado por guerras, misérias e crises ambientais? Como reestruturar a confiança na vida diante de uma tragédia ou de uma depressão crônica?
A alternância entre o desespero e a esperança, através de relatos dramáticos, histórias de superação e da própria luta interna do protagonista é, portanto, não apenas o fio condutor do documentário, mas também da própria existência humana.
LINGUAGEM
Diarios e Reflexões Internas
Os diários e as reflexões internas do protagonista, em voz off, são a bússola de sua jornada íntima e reveladora. As palavras escritas – ora fragmentadas e caóticas, ora poéticas e profundas – funcionam como janelas para sua psique, permitindo que o espectador não apenas acompanhe sua busca por respostas, mas sinta sua angústia, suas epifanias e seu processo de cura. Essas reflexões surgem em Voz Off em momentos específicos do filme, ora em diálogos consigo mesmo, ora em conversa direta com o espectador.
Como forma de ilustrar esta camada narrativa, serão utilizadas imagens poéticas e imagens de arquivo, muitas vezes sobrepostas por animações com o objetivo de mesclar a realidade objetiva com o mundo subjetivo e onírico, trazendo leveza ao tema e também expressando a criança ferida que se recusa a deixar de sonhar.
LINGUAGEM
Contrastes
O contraste é uma linguagem estética fundamental na narrativa de Além da Escuridão, refletindo a dualidade entre humana, como a esperança e o desespero, a dor e a superação, a morte e o renascimento. Na composição das imagens, isso se expressará majoritariamente na alternância entre luzes e sombras, mas também em outras formas de contraste como espaços claustrofóbicos e paisagens abertas, momentos de solidão e de comunhão como forma de expressar a dualidade inerente à vida e a possibilidade de transcendência na alternância entre os polos. O documentário, assim, não apenas expõe contrastes, mas os utiliza como alavancas para a transformação.
LINGUAGEM
Silêncio
Neste filme, o silêncio é tão importante quanto as palavras. Usaremos o silêncio para amplificar a emoção, permitindo que o espectador preencha os vazios com sua própria história, seus próprios sentimentos. Não da mera ausência de sons – são momentos densos e carregados de significados que transcendem as palavras. É na respiração entrecortada de alguém que revive uma dor, no olhar perdido do protagonista diante de uma paisagem imensa, no sorriso tímido de alguém contemplando um nascer do sol que o filme expressa suas mensagens mais profundas. Assim, o silêncio não representa um fim, mas o intervalo e o espaço para novas histórias.
Metáforas
As metáforas em Além da Escuridão são mais do que um recurso poético para trazer leveza e beleza – são a chave para acessar o que as palavras, sozinhas, não conseguem dizer.
O uso das diferentes formas da água são uma expressão disso. O oceano como símbolo da vastidão e da profundidade da alma humana. A chuva como expressão emocional. As ondas como símbolo da impermanência e finitude. Um rio fluindo representando a continuidade e o movimento da vida. Tempestades significando as crises e turbilhões internos. Lágrimas de tristeza, lágrimas de alegria – a má-água/mágoa que encontra vazão. O documentário, assim, transforma a experiência do espectador, guiando-o por imagens e símbolos que transcendem o racional e tocam a essência do humano.
METÁFORA
O BURACO NEGRO E O COSMOS
A primeira opção de elemento simbólico e metafórico que consolida a narrativa é o paralelo entre a esperança e o absurdo do sofrimento humano com elementos cósmicos.
O buraco negro, este espaço aparentemente vazio e que drena toda a luz, mas ao mesmo tempo extremamente denso e carregado de informação vêm como representação da depressão e do desespero, nos sentimentos não expressos e na pulsão de vida que não consegue sair. O sol, com sua luz e calor que geram a vida e vencem a noite fria, vem como símbolo da clareza e da esperança. A dança entre o caos e a ordem cósmica são também expressão do absurdo e da busca por sentido. Nossa pequenez perante o Universo pode simbolizar tanto a solidão quanto à conexão com o Todo, e também à nossa ignorância perante à vastidão da mente/alma humana.
METÁFORA
A ESCRITA / AS HISTÓRIAS
Toda vida é uma história a ser contada, uma narrativa em construção Muitos historiadores relacionam a história da humanidade junto com o surgimento da escrita, uma história que começou há milhares de anos e segue sendo escrita. Curiosamente, o primeiro livro do qual se tem conhecido, escrito em tábulas de argila, fala sobre os mistérios da morte e a dor da perda – um enigma que ainda não resolvemos e até hoje nos causa as maiores angústias.
Assim, a escrita e as histórias vêm como uma excelente opção metafórica para a narrativa. O diário revela o mundo interno do protagonista. As cartas não entregues representam as vidas interrompidas ou os sentimentos reprimidos. A página em branco pode expressão tanto o vazio quanto o convite à uma nova história. Os jornais que sangram as tragédias expressam o absurdo do sofrimento humano, enquanto os livros sagrados e grandes obras da humanidade revelam a nossa tentativa de atribuir sentido ao caos da Existência.
São os dramas individuais como capítulos na Divina Comédia Humana.
METÁFORA
MIMETISMO DAS BORBOLETAS
Uma metáfora possível para servir como respiro e como camada poética seria o mimetismo das borboletas, para trazer a temática da VIDA QUE INSISTE. As borboletas oferecem um vasto universo a ser explorado enquanto narrativa e imagem. Diante das ameaças de predadores e das mudanças no ambiente, algumas borboletas desenvolveram estratégias de sobrevivência para garantir a continuidade de sua espécie. Uma dessas adaptações é a mimetização, um mecanismo que permite a certos insetos se camuflarem ou imitarem características de outras espécies para evitar serem capturados. Mesmo sua vida sendo tão curta aos nossos olhos, a natureza encontra em si uma forma de se adaptar para continuar sua existência, como uma insistência em viver apesar dos desafios.
Além do mimetismo, as borboletas também carregam um peso simbólico profundo: em diversas culturas, são vistas como criaturas mitológicas. Entre os povos indígenas, por exemplo, representam a conexão entre o mundo visível e o invisível. E por meio do fenômeno da metamorfose, abrem espaço para reflexões sobre as transformações da vida, sobre renascimentos, passagens e ciclos.
As imagens não precisam ser literais ao conteúdo textual. É possível explorar os fenômenos naturais de maneira simbólica, trazendo, por exemplo, uma criança que represente o olhar do universo, transitando por esse ambiente ou outro personagem. Artifícios visuais como ilustrações, sobreposições e animações podem compor esse imaginário sensível, ampliando a poética e a narrativa.
PERSONAGENS
Os personagens são conduzidos pelo protagonista, André Baldo, e se dividem entre entrevistas com especialistas nacionais e internacionais, além de sobreviventes do suicídio e seus familiares.
Após uma ampla pesquisa, consideraram-se personagens de diferentes campos do saber, tais como filósofos, psicólogos, psiquiatras, líderes espirituais e antropólogos, considerando currículo, impacto e diversidade.
Protagonista
ANDRÉ BALDO
Psicanalista junguinano e escritor enlutado por suicídio, o protagonista possui uma história rica em contrastes e conteúdo. Por um lado, possui um espírito aventureiro e entusiasmado para com a vida, tendo vivido experiências fantásticas ao redor do mundo, como morar em uma caverna na Índia, subir o Everest B.C. com o pé quebrado e atravessar dezenas de países e tradições espirituais após deixar tudo para trás para dar a volta ao mundo; Por outro, guarda em si uma imensa angústia e grandes receios após perder quatro pessoas de sua família para o suicídio, incluindo sua mãe e seu irmão. Explorando sua história pessoal, sua profissão como psicanalista e seu perfil aventureiro, a busca por respostas e redenção de André conduz o fio narrativa da obra enquanto uma “jornada pela vida”.
Entrevistada
Monja Coen Roshi
Monja Budista. Primeira mulher e monja de ascendência não-japonesa a presidir a Federação das Seitas Budistas do Brasil, fundação da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil, e alcance significativo nas redes sociais e na mídia com mais de 3 milhões de seguidores no Instagram e mais de 6 milhões de seguidores no YouTube. Autora de mais de 20 livros, incluindo obras sobre budismo e espiritualidade. Já tentou cometer suicídio na sua juventude. Na sua entrevista aborda temas como vida, morte, mente humana, meditação, sofrimento, suicídio e sentido na vida.
Entrevistada
Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes
Médica geriatra e especialista em cuidados paliativos. Fundadora da Associação Casa do Cuidar e referência no Brasil no tema da finitude da vida, promove uma abordagem humanizada para pacientes terminais e seus familiares. Autora de best-sellers como A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver, impacta milhões com sua visão sobre dignidade no fim da vida. Já sofreu com ideação suicida. Em sua entrevista, aborda temas como morte, luto, cuidado, sentido da vida e espiritualidade.
Entrevistada
Dra. Karina Fukumits
Psicóloga, palestrante, escritora, professora e pós-doutora especializada em suicidologia. Sua jornada profissional foi moldada por experiências pessoais marcantes, incluindo a convivência com as tentativas de suicídio de sua mãe desde a infância. Determinada a transformar sua dor em instrumento de ajuda para outros, Karina se especializou em suicidologia nos Estados Unidos e trouxe seu conhecimento para o Brasil, onde se tornou uma das principais referências no assunto. Autora de diversos livros e a presentadora do podcast “Se Tem Vida Tem Jeito”. Em sua entrevista fala prevenção e pós-venção do suicídio, luto, saúdo existencial
Entrevistado
Prof. Neury Botega
Psiquiatra e professor titular da UNICAMP. Referência em suicidologia no Brasil, dedica-se à pesquisa e prevenção do suicídio, com extensa produção científica na área da saúde mental. Autor de livros fundamentais sobre o tema. Em sua entrevista, aborda temas como saúde mental, prevenção do suicídio, luto, fatores de risco, intervenções psicológicas e impacto social.
FRAMES DO FILME
Com recursos próprios, conseguimos realizar as entrevistas iniciais do projeto, além de parte de seu desenvolvimento.
Diana Moro
Diana Moro é produtora e assistente de direção brasileira, fundadora da Moro Filmes. Formada pela New York Film Academy, iniciou sua carreira na CNT e na Coastal Training Technologies.
Trabalhou no projeto Shoah Visual History, de Steven Spielberg, e na distribuição de filmes brasileiros de terror. Desde 2012, organiza o Madrugada Sangrenta Festival, trazendo nomes como Roger Corman. Em 2020, produziu filmes como Lamento, A Batalha de Shangri-lá e Alice Jr..
Henrique Faria
Com 27 anos de experiência no audiovisual, Henrique Faria (DRT nº 22983) é um Diretor Cinematográfico cujos curtas-metragens já circularam por festivais renomados no Brasil e no exterior. Destaques de sua carreira incluem “O Balé da Chuva” (2014), que rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Letícia Sabatella,”I Still Love You” (2013), aclamado pela comunidade LGBT, e “Pontual”, selecionado para o acervo da Videoteca Efêmera do Festival Clermont-Ferrand, na França. Com uma linguagem visual sensível e minimalista, Henrique acredita no poder das imagens para transcender diálogos, defendendo que a imaginação supera o conhecimento e que o mito é mais potente que a história.
Bruna Steudel
Possui uma carreira de 14 anos no audiovisual, com diversas produções de curtas-metragens, séries e telefilmes.
É Diretora e Roteirista de “Todos Os Inscritos de Ness”, filme selecionado para mais de 30 festivais e premiado nacionalmente e internacionalmente. Entre eles como melhor filme infantojuvenil no 29º Festival Internacional de Valdívia no Chile.
Tem uma vasta experiência no documentário, foi roteirista, produtora e diretora assistente do telefilme “Território Antártico”, gravado 30 dias na Antártica, hoje disponível na Globoplay.. Foi diretora do filme “Eu Vejo Flores” premiado no edital Elas e do Instituto Avon.Participou da sala de roteiro e pesquisa, de séries como “Brasil de Imigrantes”, para History Channel e do filme Ultrabebê para o canal GNT.
Vinni Gennaro
Diretor de Fotografia de projetos audiovisuais há 17 anos no mercado, atuando nas produções de cinema, comerciais, séries para tv e mídias digitas. Seu trabalho já agradou clientes como Netflix, StarPlus, Viacom, Nestlé, Coca-Cola, Banco do Brasil, Porta dos fundos, Smirnoff, Above, Goodyear, Vaio, Positivo, Boticário.
Como membro sócio da Associação Brasileira de Cinematografia, ABC, Vinni Gennaro contribui ativamente para o desenvolvimento cinematográfico no Brasil.
O curta metragem Náusea, concorreu a diversos festivais nacionais e Internacionais., como estival Internacional BIMIFF – Best Cinematography of Brazilian Short Film
Contato
+55 41 991056014
alemdaescuridao.doc@gmail.com